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 Psicologia do Trânsito 

A psicologia de transito estuda os processos psicológicos, psicossociais e psicofísicos relacionados aos problemas de trânsito, elaborando e aplicando técnicas psicológicas, como exames psicotécnicos, para a determinação de aptidões motoras, físicas, sensoriais e outros métodos de verificação, para possibilitar a habilitação de candidatos à carteira de motorista e colaborar na elaboração e implantação de sistema de sinalização, prevenção de acidentes e educação de trânsito.

Muitos nem sabem, mas existe um ramo da psicologia que estuda e analisa os comportamentos humanos em função das normas ou leis que buscam a segurança e a integridade de todos que se locomovem.

O professor José Aparecido da Silva, pesquisador da área de psicofísica e percepção, especialista em processos sensoriais do Departamento de Psicologia e Educação do câmpus da USP de Ribeirão Preto, dedica-se principalmente à psicologia do trânsito. Ele afirma que é preciso reduzir os fatores que levam aos acidentes fatais no trânsito, que em mais de 90% dos casos são fatores humanos.

Segundo o especialista, a Psicologia do trânsito é um ramo da psicologia experimental que investiga, analisa e estuda os comportamentos humanos de deslocamentos individual ou coletivo (motorizados ou não)  em função de um conjunto de normas, regras, leis ou convenções que visam assegurar a segurança e a integridade daqueles que se locomovem tanto em ambiente natural quanto construído. Para alcançar os seus objetivos a Psicologia do Trânsito entende que o trânsito é composto pela interação entre três grandes subsistemas: o homem, a via e o veículo e que uma locomoção segura e organizada envolve três elementos principais:  engenharia, educação e policiamento/legislação.  Entretanto, a despeito da grande preocupação com a dinâmica do trânsito ainda não foi possível encontrar meios extremamente eficientes para reduzir o número de acidentes fatais no trânsito, talvez porque  pouco ainda conhecemos sobre o homem, o fator de maior importância e o mais complexo dos três elementos que fazem parte do sistema de trânsito.  Com certeza é possível que seja o homem, com os seus múltiplos fatores sensoriais, motivacionais, emocionais e de personalidade, o maior responsável pelas diferentes causas dos acidentes de trânsito. De fato, as estatísticas mostram que diariamente 3.000 pessoas morrem e aproximadamente 35.000 pessoas são seriamente lesionadas em acidentes de trânsito. A maioria destes acidentes ocorre em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento e os usuários mais vulneráveis são os pedestres, ciclistas e motociclistas. Os acidentes de trânsito têm aumentado tão rapidamente e de tal forma que em muitos países eles se tornaram mais graves do que as doenças que historicamente afetam mais a população.  Em 1999, ao anunciar uma política global de segurança nas estradas, James Wolfensohn, Presidente do Banco Mundial, afirmou que a segurança viária deve ser tratada como um tema de imensas proporções humanas, econômicas , sociais e de justiça. Importante mencionar que no Brasil, as estatísticas registram aproximadamente 28.000 fatalidades e mais de 340.000 pessoas feridas anualmente. Alguns chegam a estimar que o Brasil gasta quase 10 bilhões de dólares por ano para custear os acidentes de trânsito, envolvendo vítimas ou não. A propósito,  os acidentes de trânsito custam bastante para a economia de um país, especialmente aqueles em desenvolvimento que poderiam canalizar estes recursos para outras necessidades prioritárias como educação, saúde e mesmo em ciência e tecnologia.  Em média, os custos totais dos acidentes de trânsito, incluindo uma avaliação econômica da perda da qualidade de vida ( considerando diferentes países  como por exemplo: Dinamarca, Finlândia, Itália, Coréia, Holanda, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos),  situam-se por volta de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) ou de 1,3% excluindo uma avaliação da qualidade de vida. Normas e Segurança no Trânsito Desde que os veículos motorizados tornaram-se meios comuns de transporte, a circulação no trânsito tem sido normatizada por um conjunto  convencional de leis e regras. Muitas regras são necessárias para a mobilidade do tráfego, mas outras foram implantadas com o propósito de melhorar a segurança viária. Atualmente, poucas atividades humanas são tão reguladas por restrições legais quanto o sistema de tráfego.  Todavia, apesar de nossa longa experiência com o uso das regras de segurança no trânsito, os comportamentos e as atitudes dos motoristas estão longe de serem totalmente seguras.  As estatísticas mostram claramente que quase 90% dos acidentes de trânsito tem como causa direta ou indiretamente o fator humano. Portanto, numa discussão das normas de segurança no trânsito devemos considerar que, se de um lado,  sabemos bastante sobre as regras de trânsito, de outro lado, muito pouco ainda conhecemos sobre os seus efeitos sobre o comportamento de dirigir.  Vamos analisar brevemente os efeitos das regras, das normas e da legislação sobre três importantes comportamentos e atitudes dos motoristas enquanto dirigindo: o uso dos equipamentos de segurança, o ajustamento às velocidades máximas indicadas e  o dirigir após o consumo de bebidas alcóolicas. Cintos de segurança e capacetes A literatura mostra que o uso dos cintos de segurança, tanto pelo motorista quanto por passageiros,  é uma medida eficiente para diminuir a mortalidade e a morbidez  entre as vítimas causadas por  acidentes de trânsito.  De fato, análises estatísticas têm mostrado que o risco de um acidente fatal diminui em aproximadamente 40-50% para os motoristas que estão usando cintos de segurança.  Os carros modernos são usualmente equipados com cintos de segurança e tem havido grandes investimentos em campanhas educativas para promoverem o seu uso. Todavia, várias pesquisas indicam que os resultados destes esforços, sem uma lei que torna o uso dos cintos de segurança obrigatório, contribuem para uma freqüência de aproximadamente 30-40%. Por exemplo, na Suécia, na década de 70, os cintos de segurança eram usados por apenas 15% dos motoristas. Após uma intensa campanha promovendo o uso dos cintos a porcentagem de usuários aumentou para 35%. Mas, quando o uso dos cintos de segurança tornou-se por lei obrigatório,  o efeito foi imediato aumentando a freqüência deste 35% para 85%. Resultados similares ou ainda melhores têm sido obtidos em outros países.  Resultados indicativos do efeito de uma lei obrigando o uso dos cintos de segurança sobre o comportamento dos motoristas foram obtidos no Canadá. Quando o uso dos cintos tornou-se obrigatório a freqüência de uso aumentou de 28 para 83%. Todavia, diminuiu para 45% quando esta lei foi declarada inválida e, posteriormente, quando a Suprema Corte a regulamentou definitivamente a freqüência novamente elevou-se para 88%. Quando uma nova lei é implementada, a população usualmente deve ser informada, através de campanhas educativas, sobre o conteúdo desta nova lei e também deve ser orientada a respeito  das penalidades que poderão advir com as violações da lei. Portanto, os efeitos das normas e os efeitos da legislação são difíceis de serem separados. De acordo com vários estudos,  a imposição de uma lei regulamentando o uso dos cintos de segurança é crucial para o seu sucesso. Na Alemanha, o uso dos cintos de segurança aumentou de 60%  com a obrigação, sem sanções, para mais de 90% quando sanções foram impostas.  Outros estudos têm concluído que uma legislação tornando obrigatório e com sanções correspondentes, aumenta a freqüência de uso dos cintos de segurança em aproximadamente 20 a 25%. Um outro exemplo de normas promovendo o uso de equipamentos de segurança  refere-se ao uso dos capacetes no trânsito.  De acordo com alguns levantamentos estatísticos, o uso de capacetes dentro das cidades, sem uma legislação específica que o torne obrigatório, alcança a freqüência de 35 a 50%. Quando há uma lei que torna o uso do capacete obrigatório dentro das cidades, a freqüência alcança 100%. Com o uso do capacete obrigatório por parte dos motociclistas a taxa de risco de envolvimento em acidentes fatais diminui em aproximadamente 20%. Na Noruega, antes de tornar, por lei, obrigatório o uso do capacete, a taxa de uso era por volta de 60%. Após a implementação de uma lei específica, esta taxa alcançou 75-90% e quando sanções foram adicionadas à lei, a taxa de uso atingiu um valor próximo de 100%.  Em resumo, a primeira mensagem que fica é que o comportamento adequado do uso dos equipamentos de segurança (cintos de segurança e capacetes) por parte dos motoristas parece ser controlado pela obrigatoriedade prevista em lei, mas com a especificação de sanções correspondentes quando a lei for violada. Excesso de velocidade Vários estudos indicam que uma diminuição na velocidade máxima permitida (VMP) reduz o número de acidentes de trânsito com ferimentos ou lesões pessoais graves. Portanto, diminuindo a velocidade média como  conseqüência de mudanças nos limites da VMP e, conforme esperado,  aumenta a segurança dos motoristas. Há também uma concordância na literatura de que  uma imposição nos limites da VMP reduz a proporção de veículos transitando em altas velocidades. Por exemplo,  quando a VMP de 88 km/h foi introduzida nos Estados Unidos na década de 70, a média das velocidades nas estradas interestaduais, que previamente tinha uma VMP de 112 km/h, diminuiu de  100 para 93 km/h. Mas, quando a VMP aumentou de 88 para 104 km/h, no fim da década de 80, houve um aumento médio nas velocidades de 93 para 100 km/h. Um efeito imediato da diminuição da VMP foi um aumento na proporção de motoristas que excederem o limite da velocidade permitida. Além disso,  uma VMP muito alta aumenta a velocidade média dos motoristas que anteriormente dirigiam em baixa velocidade. Embora as placas indicando os limites da VMP afetam o comportamento do motorista no sentido de ajustar a velocidade,  a taxa de obediência não é tão alta. De acordo com alguns estudos,  dependendo do tipo de rodovia, 37 a 85% dos motoristas dirigem em velocidade mais rápida do que aquela indicada em placas de trânsito sinalizando os limites da VMP.  Há também um consenso de que a fiscalização policial tem um efeito sobre o ajustamento da velocidade máxima permitida. Tanto os motoristas que excedem a VMP quanto aqueles que não a excedem usualmente dirigem em velocidade baixa quando se aproximam de um posto policial.  Efeitos imediatos da fiscalização são ainda observáveis por aproximadamente 5 km a partir do posto policial e parecem durar de 10 a 14 dias. Um estudo sueco investigou os efeitos a longo-prazo, de 2 anos, de intensa fiscalização sobre a velocidade nas rodovias limitadas a 90 km/h em sua velocidade máxima. Os dados mostraram que um aumento na fiscalização de três a cinco vezes acima do nível normal foi necessário para impedir que os motoristas dirigissem mais rápido do que 105 km/h. Resultados similares foram registrados na Finlândia. Durante uma greve de policiais, portanto, sem qualquer fiscalização,  não houve qualquer mudança na velocidade média, mas a proporção de motoristas dirigindo mais rápido do que 10 km/h acima da VMP diminuiu. Outros estudos europeus têm mostrado que é muito mais fácil alterar o comportamento dos motoristas nas estradas urbanas do que nas rodovias de alta velocidade.  Novamente, a  mensagem que fica é que o comportamento do motorista parece ser controlado pela vigência de uma lei que limita a velocidade máxima permitida, mas  esta lei também deve prever  sanções quando este comportamento adequado não ocorre. Dirigir alcoolizado De acordo com a literatura, o comportamento de dirigir alcoolizado excede em muito qualquer  outro simples fator como causa direta dos acidentes de trânsito. O risco de acidentes fatais aumenta substancialmente com o aumento do Teor de Álcool no Sangue (TAS).  Registros indicam que a taxa de risco de um motorista dirigir com um TAS de 0,05% é quatro vezes maior do que aquela de um motorista sóbrio; com um teor de 0,10% a taxa de risco é 12 vezes maior e com um teor de 0,20% esta taxa de risco é aumentada em 300 vezes quando comparada com aquela de um motorista sóbrio.  Devido a isto,  muitos países têm implementado leis impedindo e regulamentando o comportamento de dirigir alcoolizado e os limites da taxa de TAS têm variado de 0,05 a 0,10%. Dados obtidos de diferentes países, tais como o Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia e Holanda, têm mostrado que, após a introdução de uma lei regulamentando este comportamento, tanto o número de motoristas alcoolizados quanto o número de fatalidades diminuíram. Todavia,  a terceira mensagem que fica é que os efeitos desta lei impedindo  os motoristas de dirigirem alcoolizados somente serão duradouros se a lei contemplar um aumento na probabilidade de detecção. Um estudo sueco mostrou que um aumento nos testes do bafômetro realizados aleatoriamente aumenta a probabilidade de detecção. Com conseqüência, o número de motoristas detectados e o número de motoristas intoxicados em acidentes diminuíram. No Brasil, dados obtidos no Estado de São Paulo, mostraram que os motoristas tinham um baixo nível de conhecimento sobre as leis regulamentando o comportamento de dirigir alcoolizado e poucos acreditavam que  penalidades poderiam ser aplicadas para aqueles que estivessem violando estas leis específicas. Portanto, tal como ocorre nos outros países, estes dados indicam claramente que a introdução destas leis deve ser sempre e continuamente acompanhada de fiscalização e de campanhas educativas para melhorarem o nível de conhecimento e a credibilidade das sanções delas decorrentes.  Assim, a partir dessa discussão sobre estas normas ou leis de segurança viária, podemos concluir que elas somente podem aumentar a segurança se de fato alterarem  o comportamento de dirigir. É claro que informações ou campanhas educativas sobre os riscos têm um efeito muito limitado sobre o comportamento de dirigir , salvo se elas forem combinadas com medidas legais. De fato, para efeitos substanciais e duradouros das normas de segurança, a fiscalização policial e as penalidades específicas são categoricamente necessárias.  Diferentes normas têm efeitos diferentes sobre o comportamento de dirigir. Por exemplo, as normas para promoverem o uso de equipamentos de segurança têm um nível maior de obediência do que as normas introduzidas com o objetivo de reduzirem os limites de velocidade máxima permitida. Do mesmo modo, respostas para o uso compulsório dos capacetes por parte dos motociclistas são melhores do que as respostas para o uso obrigatório dos cintos de segurança. As pesquisas sobre o comportamento de dirigir alcoolizado apontam para os problemas das diferenças entre os motoristas.  Conclusões Concluindo, podemos afirmar que: (1)  a função das normas ou leis de trânsito é fornecer aos motoristas novos riscos, mas com probabilidades mais altas  do que os riscos cotidianos envolvidos na segurança do trânsito. Isto é, o risco de ser detectado enquanto violando uma lei deve ser percebido como mais alto para garantir a obediência; (2)  a fiscalização é necessária para aumentar os efeitos das normas de segurança e devem ser visíveis para serem eficazes; (3) um aumento na probabilidade percebida de detecção é uma condição necessária para aumentar a obediência das normas, de forma que a eficácia de novas normas ou leis em modificar o comportamento de dirigir depende largamente da probabilidade percebida de detecção por parte dos motoristas, a qual por sua vez depende da lei que está sendo implementada, da quantidade de fiscalização policial e das sanções/penalidades impostas em casos de violações e, finalmente, (4) o sistema de tráfego deve ser visto como um sistema social no qual os motoristas estão em contínua interação com outros motoristas e com os usuários das rodovias. As normas, as regras e as leis são importantes para ajudar os atores desse sistema a funcionarem de modo seguro e eficaz.  As atitudes dos motoristas frente a obediência destas regras e leis são importantes para entender  tanto as diferenças entre os motoristas quanto as diferenças entre grupos de motoristas. As normas sociais têm uma influência causal tanto na avaliação das conseqüências quanto nas atitudes frente à violação das normas ou leis.

A psicologia do trânsito entende que o trânsito é composto pela interação entre três grandes subsistemas — o homem, a via e o veículo — e que uma locomoção segura e organizada envolve três elementos principais: engenharia, educação e policiamento/legislação. Mas aponta que o homem, com seus múltiplos fatores sensoriais, motivacionais, emocionais e de personalidade, é o maior responsável pelas diferentes causas dos acidentes de trânsito.

Leia trechos da entrevista com José Aparecido da Silva, em que ele esclarece um pouco sobre os riscos do uso de celular na direção.

A infração de uso de celular no trânsito é uma das que mais cresce no país. Algumas pessoas acreditam que o uso do telefone não interfere em seus reflexos. Na sua opinião, o que falta para as pessoas é bom censo ou informação?
Certamente, essa infração é uma das que mais cresce em todo o país. Ser flagrado falando ao telefone celular pode levar à perda de quatro pontos na carteira de habilitação e a uma multa de 80 Ufirs. Talvez, devido ao fato de essa infração ser difícil de ser flagrada, os motoristas têm abusado cada vez mais. Esse abuso certamente se deve à falta de informação da maioria das pessoas. Faltam-lhes conhecimento e educação para o trânsito. O comportamento de dirigir um veículo é composto por múltiplas tarefas. Envolve a tomada de informação, o processamento de informação, a tomada de decisão e as atividades motoras. Muitos motoristas acreditam que dirigir envolve apenas as atividades motoras e, portanto, o uso do telefone celular, especialmente o viva-voz e o fone de ouvido, não afetaria o comportamento de dirigir, pois as mãos ficam livres. Todavia, não é bem assim. Dirigir envolve uma carga mental ou cognitiva, isto é, o motorista precisa atender e depreender vários estímulos que estão em seu ambiente interno (dentro do veículo) e externo (vias, estradas, ambiente em geral). Dados epidemiológicos e experimentais revelam que os motoristas que fazem uso do telefone celular enquanto estão dirigindo têm um risco de 3 a 9 vezes maior de se envolverem em acidentes fatais quando comparados com aqueles que não fazem uso de celulares. Além disso, não há qualquer vantagem no uso do telefone celular viva-voz ou fone de ouvido em relação ao uso do telefone celular manual. O risco é idêntico em todas as condições.

As constantes mudanças no Código Brasileiro de Trânsito, que proibiu e logo depois permitiu o uso do fone de ouvido, contribuem para que os motoristas não levem a sério o risco de usar esses aparelhos?

Sim, as constantes mudanças ou a instabilidade dessas regras podem certamente contribuir para que os motoristas não considerem seriamente a possibilidade de que o uso de um telefone celular no trânsito possa afetar a sua carga cognitiva ou mental. Aliado também ao fato de que os motoristas, em sua maioria, não estão cientes desses riscos ou de que o uso de equipamentos dessa natureza possa afetar os limites de sua atenção.

Os motoristas precisam continuamente ser instruídos/educados para os fatores de risco que podem aumentar a probabilidade de acidentes de trânsito. O que se faz necessário é que o Denatran/Contran tenha um centro de pesquisas voltado para investigar fatores de risco no trânsito antes de introduzir qualquer modificação ou relaxamento de qualquer lei de trânsito. Pesquisas são sempre necessárias.

Do seu ponto de vista, qual seria a melhor solução para a conscientização dos riscos a que se expõem às pessoas que usam o celular enquanto dirigem?

Campanhas educativas intensas. Deveria haver demonstrações durante o período de obtenção da carteira de habilitação, no qual poderia ser exemplificado que o uso dos celulares na direção afeta a carga mental, ou seja, desvia a atenção do motorista para os sinais ou demandas mais relevantes do ato de dirigir. Também deveriam ser utilizadas propagandas dramáticas demonstrando acidentes causados pelo desvio de atenção, incluindo o uso dos telefones celulares, além de campanhas educativas nas escolas secundárias.

Em suma, Considerando ser a Psicologia do Trânsito um campo disciplinar que se comunica com as diversas sub-áreas da Psicologia e com outros campos do saber, podemos apontar, pelo menos duas formas de defini-lá:

- Como uma área da Psicologia que investiga os "[...] comportamentos humanos no trânsito e os fatores e processos externos e internos, conscientes e inconscientes que os provocam ou os alteram." (Rozestraten, 1999, p.9). •Este autor aponta ainda o objeto lato sensu da Psicologia do Trânsito como sendo os diversos usuários das vias, os comportamentos que corroboraram para construção de vias e veículos e aqueles indispensáveis à criação das leis e sua fiscalização. Já no Sticto sensu, a Psicologia do Trânsito possui como objeto de estudo o comportamento específico dos usuários das vias (pedestre, motorista, ciclista e motociclista.

 Causas e efeitos dos acidentes

A maioria dos acidentes de trânsito estão relacionados com as falhas humanas, com os atos inseguros dos motoristas e com as condições de insegurança do ambiente ( condição dos veículos, via, trânsito).

Os acidentes de trânsito resultados, através da falhas humanas, podem ser reduzidos e evitados com: 

  • Treinamento e educação;
  • Ajustamento pessoal (equilíbrio emocional, uma atenção acentuada e postura do condutor);
  • Supervisão e disciplina para pôr em prática a direção defensiva;
  • Uso de equipamentos de segurança e proteção.

Os acidentes de trânsitos por atos inseguros do motorista, está relacionado com a atitude do condutor que contraria as normas de segurança ou o bom senso ( ex: dirigir em alta velocidade, fazendo rachas, avançar sinal vermelho, conservar automatismos incorretos, imprudências, etc) 

Já os acidentes de trânsitos por condições inseguras, não se referem às condições físicas ou ações do condutor, mas sim as condições perigosas do ambiente, que podem causar um acidente como: chuvas, neblina, pista escorregadia, lombadas, buracos na pista, sinalização precária, etc.

VOCÊ  SABIA  QUE? 

50.000 pessoas morrem e 350.000 ficam feridas ( muitas aleijadas) nas nossas estradas e ruas, a cada ano?

·         O acidente de trânsito é a principal causa de morte de jovem do sexo masculino?

  •  90% dos acidentes são causados pelo excesso de velocidade e/ou embriaguez do motorista?
  • Para cada acidente de trânsito ocorrido na Europa ou EUA acontece mais de dez no Brasil?
  • A média de idade dos que morrem entre as ferragens de veículos acidentados é de 30 anos?

No Brasil, entre mortos e feridos somam-se cerca 600 pessoas/dia?

 O Comportamento humano no Trânsito Por que tanta insegurança e necessidade de nos impormos, perante à sociedade e disputarmos uma supremacia com nossos semelhantes, quando estamos atrás de um volante? Qual o poder que nos é conferido? O poder de uma arma. O apelo que o automóvel exerce como símbolo de poder, potência e status, é aproveitado com grande criatividade pela propaganda em todo o mundo. 

O nosso trânsito caótico, com milhões  de carros ( em boas e péssimas condições ), são conduzidos diariamente por bons e maus motoristas, por pessoas em todos os estados emocionais, por pessoas sonolentas, alcoolizadas, doentes e muitas vezes, drogadas. O resultado de nossa experiência diária e vivida é, em muitos casos, os surtos sofridos pelas imprudências praticadas, por nós e pelos outros. 

Não basta sermos devidamente habilitados, não basta sermos atento, não basta sermos conscientes. A direção de um veículo é um ato de alto risco, em qualquer lugar, em qualquer momento e infelizmente, somente quando passamos por um acidente, é que a nossa mente fica alerta. Porém, é por poucos minutos. Logo esquecemos o incidente. 

De pouco adiantam as leis e  as punições. A mudança de atitudes e uma nova cultura são fundamentais para a preservação da vida. Por que não preservamos mais a nossa vida e a vida dos outros? No dia em que realmente nos comportarmos com decência e responsabilidade, no dia em que nos lembrarmos da necessidade do resgate do sentimento humanitário da convivência no trânsito, aí sim, seremos seres  fortes e poderosos. Seremos seres humanos realmente superiores.

FATORES HUMANOS QUE INFLUEM NA OCORRÊNCIA DE  ACIDENTES:
Quando falamos em fatores humanos devemos pensar em traços de  personalidade, condições físicas e psíquicas, influências internas e externas, doenças crônicas ou passageiras e refletirmos sobre os danos causados pelo “stress”, tão comum em nossos dias e sobre o qual, muito de nós tão pouco sabe.

Precisamos analisar os comportamentos inadequados que certos motoristas apresentam e procurarmos entender as causas, os porquês e ajudá-los na mudança desses comportamentos.
Para um melhor entendimento, citarei alguns tipos de motoristas que encontramos em nosso dia a dia.
 

MOTORISTA  DEPRESSIVO:
Apresenta alto grau de desmotivação, não possuindo muitas vezes, interesse pela própria vida. Nos momentos de crises, poderá provocar sérios acidentes;


MOTORISTA INTROVERTIDO:
Quieto, pensativo, mergulhado em seus pensamentos e problemas. Apresenta alto grau de dispersão, distrai-se com facilidade, comete falhas e é também causador de acidentes;

MOTORISTA AGRESSIVO:

Normalmente usa o veículo como válvula de escape, onde descarrega sua raiva. Comete imprudências, descontrola-se com facilidade e sempre se envolve em acidentes de grandes proporções com vítimas fatais às vezes.

MOTORISTA INSEGURO:

Está sempre em dúvida, conhece pouco o seu veículo, não tem certeza de estar no caminho certo, é lento, atrapalha o trânsito e muitas vezes é causador de congestionamento;
 

MOTORISTA SUGESTIONÁVEL:
É influenciado, aceita sugestões e desafios. Geralmente dirige sobre a influência de seus passageiros ou de outros motoristas;


MOTORISTA NEGATIVISTA:

Mal humorado, pessimista e sempre tomado pelo desânimo. Não é cooperador e não tem interesse em dirigir de forma correta.


MOTORISTA DISTRAÍDO:

Não se concentra. Ouve música em tom bem alto e tamborila no volante. Sua desatenção no volante, pode causar acidentes de grandes proporções.

MOTORISTA INQUIETO:

Está sempre buscando algo, dirigindo abre as portas luvas, procura algo nos bolsos, olha para trás, etc. Está sempre insatisfeito e ansioso. Sua dispersão poderá levá-lo a falhas geradoras de acidentes.
 

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