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  Saúde Mental

O alcoolismo, os transtornos bipolares e a esquizofrenia, além da depressão, representaram as principais doenças classificadas no grupo de distúrbios mentais. Dos dez principais males que afetam a população mundial de 15 a 44 anos, quatro estão associados a distúrbios mentais. As mulheres são as mais atingidas, mas não existe uma explicação científica definitiva para o fato.
 
Estima-se em 2 milhões o número de casos novos de depressão, no mundo, a cada ano. Cerca de 330 milhões de pessoas sofrem de algum tipo de distúrbio mental e oito em cada dez doentes diagnosticados poderiam livrar-se do mal por meio de terapia medicamentosa, associada a atendimento psiquiátrico.
 
Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS, em 1996, 120 milhões de pessoas sofriam de alcoolismo no mundo e 103 mil morreram por motivos relacionados à doença. Mesmo proibido para menores, a ingestão de álcool por adolescentes tem crescido nos últimos anos. Pesquisa feita em 1995, com 600 adolescentes do Rio de Janeiro e de São Paulo, revela que 42% bebem eventualmente, índice bem superior ao dos que usam maconha (4%) ou cocaína (1%).
 
Outro estudo, realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo, em dez estados brasileiros, mostrou que 19% dos jovens entre 10 e 18 anos tomam bebida alcoólica mais de seis vezes por mês. Dentre os que consomem álcool cerca de 20 vezes por mês a taxa aumentou em dez anos de 8% para 12%. 

Calcula-se que a depressão afeta 20% da população mundial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que os distúrbios de humor, incluindo a depressão, devem afetar cerca de 340 milhões de pessoas nos próximos anos. No ano 2020, segundo a OMS, a depressão será o principal distúrbio mental a atingir a população dos países em desenvolvimento.

Assistência Psiquiátrica no Brasil: Política de des-hospitalização

A Política Nacional de Saúde Mental vigente no Brasil, instituída através da Lei Federal No 10.216, de 6 de Abril de 2001, tem como premissa fundamental a des-hospitalização, com ampliação da rede ambulatorial e fortalecimento de iniciativas municipais e estaduais que propiciem a criação de equipamentos intensivos e  intermediários entre o tratamento ambulatorial e a internação hospitalar, com ênfase nas ações de reabilitação psicossocial dos pacientes, sobretudo através da implementação e implantação dos Centros de Atenção Psicossocial - CAPS e outros serviços similares.

Os CAPS - Centros de Atenção Psicossocial, instituídos juntamente com os NAPS - Núcleos de Assistência Psicossocial, através da Portaria/SNAS Nº 224 - 29/01/1992, são unidades de saúde locais/regionalizadas que contam com uma população adscrita definida pelo nível local e que oferecem atendimento de cuidados intermediários entre o regime ambulatorial e a internação hospitalar, em um ou dois turnos de 4 horas, por equipe multiprofissional, constituindo-se também em porta de entrada da rede de serviços para as ações relativas à saúde mental.

Os Serviços Residenciais Terapêuticos - SRT, são moradias inseridas na comunidade, destinadas a portadores de transtornos mentais, egressos de internações psiquiátricas de longa permanência, que enfrentam dificuldades de reintegração familiar, moradia e re-inserção social. Constituem uma modalidade assistencial substitutiva à internação psiquiátrica prolongada, com o compromisso de resgate da cidadania e reintegração social, não se configurando como serviços de saúde, mas sim como serviços residenciais com função terapêutica, que fazem parte do conjunto de cuidados no campo da atenção psicossocial e têm importância estratégica para a reestruturação da assistência psiquiátrica.

Dados do Ministério da Saúde, de agosto de 2004 indicavam existir, em todo o país, 220 Serviços Residenciais Terapêuticos - SRT (nos quais moram cerca de 2 mil pessoas) e 546 Centros de Atenção Psicossocial - CAPS, dos quais 64 especificamente para o tratamento de dependentes de álcool e drogas (CAPSad) e 41 voltados para crianças e adolescentes (CAPSi). O número de atendimentos nos CAPS, que em 2002 foi de 389 mil, em 2003 chegou a 3,7 milhões - quase dez vezes maior.

Em Janeiro de 2004 o Ministério da Saúde publicou a Portaria MS/Nº 0052, 20/01/2004, que instituiu o Programa Anual de Reestruturação da Assistência Psiquiátrica Hospitalar no SUS – 2004, visando permitir uma transição adequada do modelo assistencial para a assistência psiquiátrica, definindo nova classificação dos hospitais psiquiátricos, baseada no número de leitos contratados/conveniados ao SUS, com novos valores de remuneração das diárias hospitalares, nas quais estão incorporados o incentivo de qualificação do atendimento prestado, aferido pelo PNASH/Psiquiatria - Programa Nacional de Avaliação dos Hospitais Psiquiátricos, e também o incentivo pela redução dos leitos. A medida beneficia as unidades de menor porte. Cada vez que um hospital reduzir 40 leitos, mudará de classificação e ganhará um aumento no valor da diária paga pelo SUS. A nova regra começou a vigorar a partir de 1º de fevereiro de 2004.

Nos anos 1970, o Brasil chegou a ter mais de 100 mil leitos psiquiátricos. Em 1996, eram 72.514 leitos. Em 2000, caíram para 60.868. Entre janeiro de 2003 e julho de 2004, reduziram-se 4.627 leitos. Atualmente, conforme dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde - CNES, extraídos em 05/12/2004 (atualizado até 22/11/2004), revelam que ainda existem no Brasil 55.792 leitos de psiquiatria, dos quais 7.660 (13,73%) sem vinculação com o SUS e 48.132 (86,27%) vinculados ao SUS. Até o primeiro semestre de 2005, a meta é reduzir mais 3,5 mil leitos.

 

Pretende-se que o dinheiro usado na manutenção dos leitos psiquiátricos desativados seja investido na rede extra-hospitalar (Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Serviços Residenciais Terapêuticos), além dos ambulatórios e na atenção básica, especialmente o Programa Saúde da Família (PSF).

 

Acredita-se que, dos leitos de psiquiatria existentes no país, aproximadamente 20 mil estão ocupados por pacientes - moradores:  pessoas completamente abandonadas pela família e pela sociedade, sem nenhuma perspectiva de vida. Por outro lado, pelo menos 15 mil deles poderiam retornar imediatamente ao convívio social. Cada um desses internos representa, individualmente, em termos de custo ao Estado, cerca de R$ 1.000,00 por mês, repassados diretamente para estas instituições asilares. Esta realidade vem sendo alvo de denúncias sistemáticas e bem documentadas.

Em decorrência das medidas implementadas com o advento da nova política de assistência psiquiátrica no Brasil, o número de leitos psiquiátricos caiu de 72.514 em 1996 para 53.180 em 2003. Entre janeiro/2003 e julho/2004, foram reduzidos 4.627 leitos e espera-se diminuir, até o primeiro semestre de 2005, mais 3.500 leitos.

FONTE: DATASUS

No mesmo período os Centros de Atenção Psicossocial - CAPS e Núcleos de Atenção Psicossocial - NAPS existentes, passaram de 154 para 448.

Brasil: Distribuição de leitos psiquiátricos, segundo a Unidade Federada - Julho / 2003

 

Estado

Nº de Leitos

Acre

69

Alagoas

1.175

Amapá

20

Amazonas

126

Bahia

2.732

Ceará

1.141

Distrito Federal

93

Espírito Santo

855

Goiás

2.398

Maranhão

858

Mato Grosso

590

Mato Grosso do Sul

398

Minas Gerais

5.430

Pará

182

Paraíba

1.476

Paraná

4.982

Pernambuco

3.889

Piauí

565

Rio de Janeiro

11.871

Rio Grande do Norte

976

Rio Grande do Sul

2.190

Rondônia

21

Roraima

6

Santa Catarina

1.700

São Paulo

19.237

Sergipe

508

Tocantins

172

TOTAL

63.660

 

FONTE: DATASUS

O PNASH/Psiquiatria - Programa Nacional de Avaliação dos Hospitais Psiquiátricos, no período de 2003/2004, avaliou 168 dos 234 hospitais psiquiátricos existentes no Brasil: 26 (vinte e seis) obtiveram conceito BOM, 83 (oitenta e três) REGULAR, 52 (cinqüenta e dois) INSATISFATÓRIO e 05 (cinco) PÉSSIMO, somando-se a estes últimos mais 05 (cinco) avaliados em 2002. Entre as principais irregularidades identificadas, destacam-se: falta de médicos e enfermeiros; aplicação de doses excessivas de medicamentos e má alimentação dos pacientes.

Dos dez hospitais que obtiveram conceito PÉSSIMO, um está sob intervenção (Casa de Saúde Dr. Eiras, localizada em Paracambi, Rio de Janeiro, com 980 leitos), dois pertencentes à Secretarias Estaduais de Saúde (Hospital Colônia Lopes Rodrigues, em Feira de Santana, na Bahia, com 500 leitos; e Hospital Estadual Teixeira Brandão, no Rio de Janeiro, com 102 leitos), deverão ter os pacientes transferidos de forma criteriosa e paulatinamente para outras instituições, e os sete restantes, todos privados, sofrerão ação civil pública para que se faça uma intervenção compartilhada entre governos federal, estaduais e prefeituras nessas instituições.

No Pará, o Centro Integrado de Assistência Social do Pará - CIASPA, em Ananindeua, com 120 leitos foi classificado na Classe III, com uma pontuação de 79,69 (os hospitais precisam atingir a pontuação mínima de 61% para que sejam classificados como hospital psiquiátrico do SUS - Ver Portaria MS/Nº 251, 31-01-2002.

 

Pelos registros do DATASUS, em Julho de 2003, existiam 182 leitos psiquiátricos no estado do Pará, reduzidos (segundo a atualização de 22/11/2004 do CNES) para 126, todos vinculados ao Sistema Único de Saúde - SUS. (Ver tabela abaixo).

 

Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde - CNES

Indicadores - Leitos
Estado - PA
Tipo Leito - Clínico - PSIQUIATRIA

CNES Estabelecimento Município Existentes SUS
2331861 HOSPITAL SANTO ANTONIO ALENQUER

1

1

2328879 UNIDADE DE REABILITAÇÃO PSÍQUICO SOCIAL ANANINDEUA

56

56

2333031 HOSPITAL DE CLINICAS GASPAR VIANA BELÉM

48

48

2332981 HOSPITAL UNIVERSITÁRIO JOÃO DE BARROS BARRETO BELÉM

4

4

2752700 SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DO PARÁ BELÉM

4

4

2330962 HOSPITAL MATERNIDADE DO POVO CAPITÃO POÇO CAPITÃO POÇO

1

1

0007641 HOSPITAL SA JOSÉ CASTANHAL

1

1

2615797 HOSPITAL MUNICIPAL DE MARABÁ MARABÁ

2

2

2316064 HOSPITAL MUNICIPAL DR, ALMIR GABRIEL SALVATERRA

1

1

2329832 HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA TEREZINHA SANTARÉM

1

1

2329905 HOSPITAL MUNICIPAL DE SANTARÉM SANTARÉM

1

1

8001448 MATERNIDADE IRMÃ DULCE SANTARÉM

1

1

2316021 UNIDADE MISTA DE SÃO SEBASTIÃO DA BOA VISTA SÃO SEBASTIÃO DA BOA VISTA

5

5

     

126

126

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